Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
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Marruá, melhor em todos os sentidos
Muito maior que seu antecessor, produzido sob outra chancela, o Marruá chega a ser confortável.

O nosso primeiro contato com o novo produto da Agrale foi motivador. Mas, em primeiro lugar desejávamos, assim como o leitor, saber de onde vem o nome Marruá e o que ele significa. Perguntas simples, mas absolutamente essências. A resposta veio do engenheiro João Batista, Supervisor de Engenharia Experimental da Agrale, e foi a seguinte: Marruá, um termo comum lá pelo Centro Oeste brasileiro, significa o boi desgarrado ou, nos termos locais, alongado. Explicando, esse boi é aquele que foge da boiada e sozinho e afastado do contato com o homem torna-se selvagem. Afinal, um nome bem apropriado para um veículo militar com características off-road.

O Marruá é descendente direto do jipe Engesa e, sem coincidências, claro, a turma responsável pelo projeto é a mesma. Mas, como quem anda para trás é caranguejo, a versão atualizada do jipe Engesa, o Agrale Marruá, é melhor em todos os sentidos. Maior, mais potente e mais adequado ao perfil militar moderno, sem perder a simplicidade e a objetividade exigida pelos padrões do Exército brasileiro, o carro, mesmo sem ter recebido ainda sua caixa de redução – ele ainda é um 4x4 sem reduzida –, consegue vencer obstáculos de grande dificuldade – nível 3 a 6.

Entre as características que fazem deste jipe um verdadeiro selvagem, estão os ângulos de ataque (64° graus), saída (54° graus), rampa (acima de 110%, sem a reduzida), passagem a VAU (trecho alagado, sem snorkel) de 600 mm e inclinação lateral (30%). Por todos estes dados ele já poderia ser considerado um privilegiado, digno das trilhas e picadas brasileiras, mas o jipinho é ainda mais interessante porque traja o 4.07 TCA, o consagrado motor MWM. O trem de força se completa com a caixa (com dentes retos) Eaton FS 2305; caixa de transferência da própria Agrale (1:1, engate manual), sem redução, e os eixos Agrale-Dana na dianteira e Dana na traseira, este com 60% de tração positiva. Por outro lado, este motor ficará por pouco tempo sob o capot do jipe, pois a próxima etapa evolutiva da nossa legislação de emissões impedirá a sua comercialização. Em seu lugar, uma versão eletrônica surgirá com mais potência, torque e maiores possibilidades de problemas devido a eletrônica.

Muito maior que seu antecessor, produzido sob outra chancela, o Marruá chega a ser confortável. A estrutura tubular é bem rígida e o conjunto de suspensão trabalha com 500 mm de curso nos dois sentidos. Um gigante! A versão especial em que andamos, numa trilha conhecida de São Paulo, a Trilha das Aranhas, tinha molas helicoidais com 8,5 voltas, mas haverá opções: 7,0 ou
9,5 voltas, ambas, claro, com níveis diferentes de conforto.
A beleza off-roader deste veículo, que parece ter sido feito à moda Origami, é clássica. As linhas da carroçaria não criam aspectos incomuns ou se julgam atraentes, é uma carcaça prática: simples de montar e fácil de remendar ou recortar se essa for a exigência. Mas, é um veículo imponente. Mais longo 210 mm que o Engesa, mais largo 300 mm e com entre eixos maior 217 mm, o Marruá consegue levar quatro ocupantes à moda jipe, mas com mais conforto. O painel é simples, os comandos são poucos, mas a ergonomia pode ser dita boa assim como a visualização dos instrumentos. Todo o sistema elétrico é 24V, uma exigência militar que facilita muito a vida dos adeptos do estilo de vida ao ar livre.

Acessórios como pá, guincho suportes de vários tipos e para v árias aplicações fazem parte do pacote de opcionais do Marruá Especial, 100 unidades que a empresa pretende comercializar a partir de janeiros de 2005, por 75 mil reais (preço sugerido).

O Marruá pesa, em ordem de marcha ou com todos os fluidos mais o motorista, 1.960 kg. Um exagero? Talvez, mas a carroçaria é de aço galvanizado com 1,2 mm, o tanque de combustível tem capacidade para 102 litros e o tanque reserva comporta mais 20 litros, e não podemos esquecer que se trata de um 4x4 robusto, com eixos encorpados e pesados. Parar o bruto é tarefa para o sistema de freios com duplo circuito hidráulico, a disco na dianteira e tambor na traseira. Mas, parar o bruto carregado e em rampa exigiu modificações sobre o freio de serviço, o que gerou tambores de freios e lonas bem maiores.

Dados Técnicos:

Motor: MWM 4.07 TCA
Potência máx.: 132 cv @ 3.600 rpm
Torque máx.: 340 Nm @1.800 rpm

Vel. máx.: 120 km/h
Vel. mín.: 4 km/h
Autonomika: 1.000 km

Dimensões
Comprimento: 3.800 mm
Largura (sem retrovisores): 1.870 mm
Largura total: 1.920 mm
Altura total: 1.950 mm
Altura com pára-brisas rebatido: 1.400 mm
Dist. do solo: 270 mm
Dist. entre eixos: 2.300 mm
Bitolas (diant. e tras.): 1.540 mm

Peso (em ordem de marcha): 1.960 kg
Cap. passageiros: 04
Cap. carga: 500 kg
Reboque: 500 kg
Tanque combustível: 102 litros
Tanque reserva: 20 litros


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