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O nosso primeiro contato com o novo produto da Agrale
foi motivador. Mas, em primeiro lugar desejávamos,
assim como o leitor, saber de onde vem o nome Marruá
e o que ele significa. Perguntas simples, mas absolutamente
essências. A resposta veio do engenheiro João
Batista, Supervisor de Engenharia Experimental da Agrale,
e foi a seguinte: Marruá, um termo comum lá
pelo Centro Oeste brasileiro, significa o boi desgarrado
ou, nos termos locais, alongado. Explicando, esse boi
é aquele que foge da boiada e sozinho e afastado
do contato com o homem torna-se selvagem. Afinal, um
nome bem apropriado para um veículo militar com
características off-road.
O
Marruá é descendente direto do jipe Engesa
e, sem coincidências, claro, a turma responsável
pelo projeto é a mesma. Mas, como quem anda para
trás é caranguejo, a versão atualizada
do jipe Engesa, o Agrale Marruá, é melhor
em todos os sentidos. Maior, mais potente e mais adequado
ao perfil militar moderno, sem perder a simplicidade
e a objetividade exigida pelos padrões do Exército
brasileiro, o carro, mesmo sem ter recebido ainda sua
caixa de redução – ele ainda é
um 4x4 sem reduzida –, consegue vencer obstáculos
de grande dificuldade – nível 3 a 6.
Entre
as características que fazem deste jipe um verdadeiro
selvagem, estão os ângulos de ataque (64°
graus), saída (54° graus), rampa (acima de
110%, sem a reduzida), passagem a VAU (trecho alagado,
sem snorkel) de 600 mm e inclinação lateral
(30%). Por todos estes dados ele já poderia ser
considerado um privilegiado, digno das trilhas e picadas
brasileiras, mas o jipinho é ainda mais interessante
porque traja o 4.07 TCA, o consagrado motor MWM. O trem
de força se completa com a caixa (com dentes
retos) Eaton FS 2305; caixa de transferência da
própria Agrale (1:1, engate manual), sem redução,
e os eixos Agrale-Dana na dianteira e Dana na traseira,
este com 60% de tração positiva. Por outro
lado, este motor ficará por pouco tempo sob o
capot do jipe, pois a próxima etapa evolutiva
da nossa legislação de emissões
impedirá a sua comercialização.
Em seu lugar, uma versão eletrônica surgirá
com mais potência, torque e maiores possibilidades
de problemas devido a eletrônica.
Muito
maior que seu antecessor, produzido sob outra
chancela, o Marruá chega a ser confortável.
A estrutura tubular é bem rígida
e o conjunto de suspensão trabalha com
500 mm de curso nos dois sentidos. Um gigante!
A versão especial em que andamos, numa
trilha conhecida de São Paulo, a Trilha
das Aranhas, tinha molas helicoidais com 8,5 voltas,
mas haverá opções: 7,0 ou
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9,5
voltas, ambas, claro, com níveis diferentes de
conforto.
A
beleza off-roader deste veículo, que parece ter
sido feito à moda Origami, é clássica.
As linhas da carroçaria não criam aspectos
incomuns ou se julgam atraentes, é uma carcaça
prática: simples de montar e fácil de
remendar ou recortar se essa for a exigência.
Mas, é um veículo imponente. Mais longo
210 mm que o Engesa, mais largo 300 mm e com entre eixos
maior 217 mm, o Marruá consegue levar quatro
ocupantes à moda jipe, mas com mais conforto.
O painel é simples, os comandos são poucos,
mas a ergonomia pode ser dita boa assim como a visualização
dos instrumentos. Todo o sistema elétrico é
24V, uma exigência militar que facilita muito
a vida dos adeptos do estilo de vida ao ar livre.
Acessórios
como pá, guincho suportes de vários tipos
e para v árias aplicações fazem
parte do pacote de opcionais do Marruá Especial,
100 unidades que a empresa pretende comercializar a
partir de janeiros de 2005, por 75 mil reais (preço
sugerido).
O
Marruá pesa, em ordem de marcha ou com todos
os fluidos mais o motorista, 1.960 kg. Um exagero? Talvez,
mas a carroçaria é de aço galvanizado
com 1,2 mm, o tanque de combustível tem capacidade
para 102 litros e o tanque reserva comporta mais 20
litros, e não podemos esquecer que se trata de
um 4x4 robusto, com eixos encorpados e pesados. Parar
o bruto é tarefa para o sistema de freios com
duplo circuito hidráulico, a disco na dianteira
e tambor na traseira. Mas, parar o bruto carregado e
em rampa exigiu modificações sobre o freio
de serviço, o que gerou tambores de freios e
lonas bem maiores.
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Dados
Técnicos:
Motor:
MWM 4.07 TCA
Potência máx.: 132 cv @ 3.600 rpm
Torque máx.: 340 Nm @1.800 rpm
Vel.
máx.: 120 km/h
Vel. mín.: 4 km/h
Autonomika: 1.000 km
Dimensões
Comprimento: 3.800 mm
Largura (sem retrovisores): 1.870 mm
Largura total: 1.920 mm
Altura total: 1.950 mm
Altura com pára-brisas rebatido: 1.400
mm
Dist. do solo: 270 mm
Dist. entre eixos: 2.300 mm
Bitolas (diant. e tras.): 1.540 mm
Peso
(em ordem de marcha): 1.960 kg
Cap. passageiros: 04
Cap. carga: 500 kg
Reboque: 500 kg
Tanque combustível: 102 litros
Tanque reserva: 20 litros |
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